Transtorno Borderline: sintomas, tratamento e como lidar com pessoas que o possuem

 21/05/2021

Transtorno Borderline: sintomas, tratamento e como lidar com pessoas que o possuem


A expressão ‘nervos à flor da pele’ é uma das que mais combina com pessoas que sofrem do Transtorno de Personalidade Borderline. Esse transtorno de saúde mental tão falado, mas pouco conhecido em relação aos seus reais sintomas, pode prejudicar severamente a vida de quem o desenvolve, trazendo sofrimento em sua vida pessoal, profissional e afetos.

Transtorno de Personalidade Borderline é o nome do transtorno de saúde mental dado a pessoas que possuam um padrão de comportamento permeado pela impulsividade, instabilidade emocional, medo da rejeição e tendências autodepreciativas.

Pessoas com esse transtorno tendem a ter uma visão distorcida de si mesmos e de seus afetos. Como consequência disso, vivem ‘nas bordas’ ou ‘ nos limites’ da neurose (sentimentos mais relacionados à ansiedade e obsessão) e da psicose (sintomas de distorção da realidade), daí o sentido da palavra inglesa ‘borderline’.

Os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline

As pessoas com o Transtorno de Borderline operam sempre nos extremos das emoções, sendo capazes de demonstrar o maior amor do mundo quando estão bem ou de agir de forma bastante impulsiva prejudicando alguém quando se sentem rejeitados ou menosprezados.

Para exemplificar melhor, podemos apresentar o Transtorno de Borderline em 4 pilares:
 

  1. Instabilidade: a pessoa pode ter grandes variações de humor no mesmo dia, por coisas aparentemente simples e de forma muito intensa.

  2. Medo de rejeição: A rejeição ou ameaça de rejeição é experienciada como insuportável, a pessoa vive em função do outro para preencher um vazio constante, que costuma sentir, portanto, faz de tudo para evitar ser rejeitada.

  3. Impulsividade: as atitudes podem ser de um amor exacerbado quando estão bem, podendo estar muito dispostas e até gastar demais para agradar alguém. Por outro lado, podem armar situações, brigas e verdadeiras tragédias quando se sentem rejeitadas.

  4. Autodepreciação: a visão de si mesmo é distorcida, fazendo com que a pessoa nunca enxergue suas reais qualidades e pense que não é merecedora de nada. Esse comportamento pode, por vezes, levar à automutilação.
     

Geralmente, essas características podem aparecer no fim da adolescência e acompanhar o indivíduo durante a fase adulta, prejudicando sua vida em vários aspectos, principalmente suas relações afetivas e profissionais.

Pode ser muito difícil conviver com um borderline no trabalho, por exemplo, pois ao mesmo tempo em que ele pode se empenhar muito na realização de algumas tarefas, pode criar intrigas ou situações desconfortáveis para toda a equipe.

Em relação aos relacionamentos afetivos, hora o parceiro do borderline se sentirá nas nuvens, como o ser mais amado, hora poderá sentir-se acuado por brigas, chantagens e reações exageradas. Ou seja, a pessoa tende a ter um padrão de relacionamentos intensos e bastante instáveis, indo da idealização e amor à desvalorização e ódio facilmente.

Estes são alguns dos sintomas que uma pessoa com o Transtorno de Borderline pode enfrentar diariamente:

  • Sentimento de vazio
  • Angústia de abandono
  • Mudança frequente e repentina de humor (instabilidade emocional)
  • Instabilidade afetiva (hora ama, hora odeia)
  • Sentimentos polarizados
  • Impaciência
  • Raiva
  • Instabilidade da percepção de si mesmo
  • Autolesão
  • Pensamentos suicidas

Quais as causas do Transtorno Borderline?
Assim como outros transtornos mentais, os fatores genéticos podem ser preponderantes para o desenvolvimento do Transtorno Borderline, ao mesmo tempo que as marcas de situações traumáticas vivenciadas precocemente ou abusos físicos e emocionais e ainda vivenciar ambiente de grande instabilidade emocional, podem contribuir.

Ou seja, fatores congênitos e de criação podem contribuir, mas não são sozinhos determinantes.

Como lidar com uma pessoa com borderline?
Conviver com uma pessoa com Transtorno de Borderline requer uma dose extra de paciência, afeto e sabedoria. O borderline vive em medo constante do abandono e da rejeição e qualquer sinal pode ser motivo para uma tristeza profunda ou episódios de impulsividade e fúria.
 
Eles podem ser amantes maravilhosos, amigos super divertidos e pessoas com as quais você pode contar, mas também podem apresentar suas sombras dependendo das situações.
 
Veja algumas dicas sobre como lidar com uma pessoa com Transtorno Borderline:

  • Demonstre que você se importa
    Para ela é importante que as pessoas que estão à sua volta se importem com ela. Perguntar como foi o dia, se precisa de ajuda ou simplesmente mandar uma mensagem para saber como ela está já é algo benéfico para esse tipo de personalidade.

  • Tenha clareza na comunicação
    Você precisa ser cuidadoso na escolha das palavras, para que elas não sejam interpretadas de forma equivocada. Lembre-se que o borderline possui uma visão distorcida de si mesmo. Por isso, ao se comunicar com ela, busque as palavras com atenção e amorosidade, inspirando sempre a forma mais cálida de falar, mesmo que a comunicação tenha de ser direta e negativa.

  • Preste atenção aos gatilhos
    Ao conviver com um borderline, você consegue perceber certos gatilhos que podem desencadear reações exageradas. Fique atento a essas situações para evitá-las, a fim de não gerar mal estar entre as relações.

  • Não contribua nos ataques de fúria
    Quando um borderline está em um ataque de fúria, tome cuidado para não entrar no jogo e se deixar levar pela raiva do momento. Quando as coisas acalmarem, converse com ele de forma calma e objetiva, com cuidado e atenção. Lembre-se de protegê-lo caso haja uma situação de risco à vida e também se proteja em relação aos seus sentimentos.

Borderline: uma personalidade que precisa de atenção

Os borderlines podem viver uma vida com uma montanha-russa de sentimentos, mas quando tratados e sob controle, são pessoas maravilhosas. Por se tratar de transtorno de personalidade, a atenção deve ser constante e a busca por ajuda deve ser sempre considerada.
 
Também é importante salientar que se você gosta ou ama alguém com este transtorno, tutelá-lo e colocar-se como a solução de seus problemas não é saudável para você. A sua contribuição é importante, mas a pessoa também precisa buscar ajuda.

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Hospital Psiquiátrico Porto Seguro
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